60º Congresso de Ginecologia e Obstetrícia da Febrasgo – CBGO 2022

Dados do Trabalho


TÍTULO

Síndrome Herlyn-Werner-Wunderlich – Relato de caso

CONTEXTO

A síndrome de Herlyn-Werner-Wunderlich (SHWW) é uma doença congênita rara dos ductos mullerianos, que acomete < 1/1.000.000 casos. Seu diagnóstico é mais comum na puberdade, após a menarca, com um quadro de dor, massa pélvica e abdominal, dispareunia. É caracterizada por útero didelfo, hemivagina obstruída e agenesia renal unilateral. A demora em seu diagnóstico pode gerar complicações como endometriose, infertilidade e aderências. O tratamento consiste na excisão do septo vaginal.

DESCRIÇÃO DO(S) CASO(S) ou da SÉRIE DE CASOS

Jovem de 15 anos, hemodinamicamente estável, é admitida com quadro de obstrução urinária associado a dor em baixo ventre de forte intensidade. Negava uso de medicamentos, comorbidades e sexarca. Realizado ultrassom (US) pélvica via abdominal o qual demonstrou útero de aspecto didelfo, cerca de 380mL de líquido espesso distendendo colo e cavidade vaginal a direita. Em cavidade uterina direita presença de imagem sugestivo de hematometra e esquerda sem alterações. US abdome total demonstrou agenesia renal a direita. Paciente foi encaminhada ao centro cirúrgico, onde, sob sedação foi observado vagina em fundo cego, ausência de colo e realizada confecção de fístula em parede vaginal direita, com saída de aproximadamente 450mL de conteúdo hemático. A paciente evoluiu com boa resposta ao procedimento, e a alta ocorreu após nove horas.

COMENTÁRIOS

A SHWW caracteriza-se como uma malformação mulleriana do tipo III associada a anomalias do ducto mesonéfrico. A apresentação clínica mais comum é de dor, massa abdominal e dismenorréia. Quadros de retenção urinária e constipação podem ocorrer devido ao aumento do hematocolpo. 92,9% das pacientes recebem diagnósticos incorretos de outras condições, sendo que o uso de anti-inflamatórios e anticoncepcionais podem atrasar o diagnóstico. Essa comorbidade cursa com agenesia renal ipsilateral a cavidade uterina acometida, sendo o lado direito duas vezes mais acometido. Em adolescentes, medidas para adiar a cirurgia incluem uso de medicamentos que causem amenorréia, embora a ressecção do septo vaginal seja o tratamento de escolha. O caso relatado demonstra a importância de se conhecer a patologia para estabelecer a correta abordagem das pacientes, visto que o reconhecimento precoce evita complicações, como o refluxo tubário retrógrado, endometriose e infertilidade. O prognóstico é bom, sendo que 80% das pacientes podem conceber, ainda que a maior complicação seja trabalho de parto prematuro (22%) e aborto (74%).

Área

GINECOLOGIA - Infância e Adolescência

Autores

Leonardo Marcon Guedes, Camila Silveira de Souza, Fernanda Schier de Fraga, Mauricio Artigas Grillo, Helena Maria Amorim Souza Lobo, Afonso Clemer Lopes Tosin, Roberto Ribeiro Fontao, Amauri do Rosário