60º Congresso de Ginecologia e Obstetrícia da Febrasgo – CBGO 2022

Dados do Trabalho


TÍTULO

Neovaginoplastia com Pele Liofilizada de Tilápia do Nilo em Cirurgia Afirmativa de Gênero

OBJETIVO

Descrever o uso da Pele Liofilizada de Tilápia do Nilo (PLTN) como enxerto para o revestimento do canal vaginal em neovaginoplastia para mulheres transgênero.

MÉTODOS

Aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, sob parecer 5341775 e CAAE 74027917.3.0000.5050.
Estudo transversal realizado com 35 mulheres transgêneros maiores de 18 anos de agosto de 2019 a dezembro de 2020. Inicialmente, foi realizada uma orquiectomia bilateral seguida de abertura ventral da uretra, criando um novo meato uretral e um retalho de mucosa que foi fixado na base do clitóris. Foi feita a dissecção romba do espaço entre o reto e a uretra auxílio de espéculo vaginal até a identificação do saco de Douglas. Para o revestimento vaginal, um tubo de xenoenxerto composto de pele peniana e PLTN, suturado à borda distal da pele peniana invertida restante, foi previamente construído com auxílio de um molde rígido e introduzido na nova cavidade vaginal formada. As pacientes foram instruídas a usarem o molde dilatador 3 a 4 vezes por dia, por 20min, nas primeiras 6 semanas, e 1 vez por dia por 6 meses. A pele remanescente da base do pênis e do escroto são utilizadas para formar os pequenos lábios e os grandes lábios, respectivamente.

RESULTADOS

A profundidade e largura de cada neovagina variou de 16 a 20 cm (md 18,49 cm) e largura de 5 a 6 cm (md 5,8 cm). A sensibilidade foi autorreferida como excelente, e todas as pacientes tiveram orgasmos com automasturbação ou penetração em média 6,14 semanas após a avaliação pós-operatória. As pacientes relataram ótimos resultados estéticos, com a aparência satisfatória da genitália feminina previamente desejada, e funcionais, com lubrificação satisfatória para a relação sexual. As biópsias foram realizadas 4 a 6 meses após o procedimento e evidenciaram cortes de mucosa revestidos com epitélio escamoso estratificado não queratinizado, com tecido conjuntivo fibroso denso permeado por neoformação vascular. Com relação às complicações, 8 apresentaram pequenas deiscências da ferida operatória, 3 retração vaginal, 1 lesão retal, 1 sangramento pós-operatório.

CONCLUSÕES

A PLTN é um material biocompatível, com grande potencial de se firmar como alternativa para uso em cirurgia de afirmação de gênero, considerando os resultados estéticos e funcionais proporcionados, tais como adequada profundidade vaginal, excelente sensibilidade, lubrificação do canal vaginal satisfatória e estética correspondente ao desejado.

Área

GINECOLOGIA - Cirurgia Ginecológica

Autores

Álvaro Hernán Rodríguez, Stephany Ellen De Castro, Edmar Maciel Lima Júnior, Manoel Odorico De Moraes Filho, Liz Rodrigues Picanço, Mariana Oliveira Veloso, Leonardo Robson Pinheiro Sobreira Bezerra