60º Congresso de Ginecologia e Obstetrícia da Febrasgo – CBGO 2022

Dados do Trabalho


TÍTULO

OBESIDADE E GESTAÇÃO: O QUE MUDOU DURANTE A PANDEMIA COVID-19?

OBJETIVO

Comparar os desfechos gestacionais de gestantes obesas atendidas em um hospital terciário no Rio Grande do Sul, em dois períodos distintos, sendo o primeiro anterior e o segundo durante a pandemia de COVID-19.

MÉTODOS

Estudo transversal com 1031 parturientes em um hospital terciário localizado no Rio Grande do Sul. Os dados foram coletados por meio de entrevistas e análise de prontuários eletrônicos em dois períodos: período 1, de janeiro de 2017 a junho de 2018 (n=780) e período 2, de janeiro de 2020 a janeiro de 2021 (n=251). Foi realizada a análise descritiva das variáveis e associação verificada pelo teste Qui-quadrado, com nível de significância 5% (p <0,05). Os dados analisados fazem parte do projeto de pesquisa Desfechos Gestacionais, aprovado pelo Comitê de Ética (CAAE 59366116.5.0000.5346).

RESULTADOS

Nesse grupo de pacientes houve maior aderência à realização do pré-natal (PN), que no período de pandemia foi realizado por 100,0% das gestantes. A realização das consultas no PN de alto risco, que no período anterior à pandemia era de 32,1% passou para 63,3% durante a pandemia de COVID-19. As gestantes obesas tiveram maior associação com diabetes e hipertensão no período da pandemia. A prevalência de diabetes passou de 27,2 para 42,6% e a de hipertensão de 51,4 para 67,7%. Nas pacientes obesas, comparando o período 1 com o período 2, houve associação significativa com cesariana (59,4% vs 70%), com nascimentos pré-termo (13,7% vs 26,1%) e com necessidade de internação do recém-nascido (RN) em UTI neonatal (6,0% vs 11,6%). Não ocorreu diferença significativa nas taxas de reanimação e morte neonatal.

CONCLUSÕES

Embora o segundo período tenha apresentado um menor percentual de gestantes com obesidade (15,9%), houve aumento doa casos de hipertensão e diabetes. Ademais, concomitantemente com o aumento no número de cesáreas, houve elevação na necessidade de internação do RN na UTI neonatal no segundo período. Logo, outros fatores além da obesidade gestacional podem estar relacionados a tais parâmetros, principalmente no que diz respeito às comorbidades maternas como diabetes e hipertensão.

Área

OBSTETRÍCIA - Gestação de alto risco

Autores

Nathaly Michaela Melo Da Conceição, Letícia Bitello, Aline Abud Gomes, Vitoria Avila Camerino , Fabiana De Paula Faiolla, Isabella Batista Plotzki, Luciane Flores Jacobi, Cristine Kolling Konopka