60º Congresso de Ginecologia e Obstetrícia da Febrasgo – CBGO 2022

Dados do Trabalho


TÍTULO

Mioma uterino e anemia: adenomiose concomitante aumenta essa probabilidade?

OBJETIVO

Avaliar a frequência e severidade da anemia em pacientes apenas com mioma comparado a pacientes com mioma associado à adenomiose submetidas à histerectomia total abdominal.

MÉTODOS

Estudo de corte transversal com pacientes submetidas à histerectomia total abdominal entre março/2019 e junho/2022 devido mioma uterino. As pacientes foram divididas em dois grupos: grupo 1- mulheres com adenomiose concomitante, e, grupo 2 - mulheres sem adenomiose. O diagnóstico de adenomiose, a topografia dos miomas, assim como o peso da peça cirúrgica foram definidos por estudo anatomopatológico. Os níveis de hemoglobina foram mensurados antes do procedimento e o grau de anemia foi classificado em leve (10,0-12,5mg/dL), moderado (7,0-9,9mg/dL) e grave (< 7,0 mg/dL). As variáveis quantitativas foram descritas em termos de mediana e intervalo interquartil (IIQ). A análise inferencial foi realizada com os testes qui-quadrado e teste T de Student, para um alfa de 5%.

RESULTADOS

602 pacientes foram incluídas no estudo, das quais 127 (21,1%) tiveram diagnóstico de adenomiose. A idade no grupo 1 foi maior que no grupo 2 [45,8 ± 4,6 vs 44,5 ± 5,8 anos], com diferença estatisticamente significativa (p = 0,010). Em relação a localização dos miomas, o intramural foi o mais prevalente, presente em 98,2% das peças, seguido do submucoso em 57,0%, e, subseroso em 51,6%, sendo que uma única peça muitas vezes apresentou vários miomas. O peso das peças cirúrgicas foi menor no grupo 1 que no grupo 2 [601,5 ± 621,7 vs 738,6 ± 595,2 g], com diferença estatística (p = 0,023). Para avaliação da anemia foram excluídas 3 pacientes (sem exame de hemoglobina no prontuário). Foi observada uma frequência semelhante de anemia no grupo 1 (34,9%) em comparação ao grupo 2 (34,5%), sem diferença estatisticamente significante (p=0,923). De forma análoga, as frequências de anemia grave (0,0% vs 0,4%), anemia moderada (11,1% vs 11,2%) e anemia leve (23,8% vs 22,8%) foram equivalentes entre os grupos (p = 0,992).

CONCLUSÕES

A adenomiose esteve presente em uma para cada cinco mulheres histerectomizadas por mioma uterino. Porém, a concomitância entre mioma e adenomiose não esteve associada a uma maior probabilidade de desenvolvimento de anemia em relação as pacientes com miomatose isolada.

Área

GINECOLOGIA - Cirurgia Ginecológica

Autores

Jordana Campos Queiroz, Luís Carlos Sakamoto, Luiz Henrique Gebrim, Fernanda Vieira Penha, Natália Marie Minehira, Luísa Guedes Braga, Isadora Teixeira Nunes de Miranda, Lucas Lobato Vieira de Moraes