60º Congresso de Ginecologia e Obstetrícia da Febrasgo – CBGO 2022

Dados do Trabalho


TÍTULO

NOVA PROPOSTA DE TRATAMENTO MEDICAMENTOSO DA GRAVIDEZ ECTÓPICA NA CICATRIZ DA CESÁREA COM METOTREXATO

OBJETIVO

Devido ao risco de ruptura uterina e hemorragia nos casos de gravidez ectópica na cicatriz de cesárea (GECC), o tratamento clássico é histerectomia. Para evitar isso, técnicas minimamente invasivas foram propostas, como injeção local de metotrexato (MTX) guiada por ultrassonografia transvaginal (USTV); tratamento sistêmico com MTX; e quimioembolização das artérias uterinas. A falta de consenso para o tratamento de GECC, observada na literatura, motivou este projeto, cujo objetivo é avaliar a eficácia do tratamento medicamentoso com MTX na GECC.

MÉTODOS

Trata-se de estudo retrospectivo, experimental, descritivo, tipo série de casos, registrado no CAAE 51162821.2.0000.5505, envolvendo os casos de GECC que foram tratados no Setor de Gravidez Ectópica do Departamento de Obstetrícia – EPM/UNIFESP no período de 2008 a 2022. O diagnóstico foi estabelecido pela história e exame físico, apresentando fração beta da gonadotrofina coriônica humana (β-hCG) positiva, e comprovação diagnóstica ao exame USTV (saco gestacional em topografia da região ístmica e cavidade uterina vazia). Na presença de batimentos cardíacos fetais (BCF), o tratamento foi o local com injeção de MTX (1mg/kg) guiado por USTV. Nos casos que em 48h não se observou queda de 15% dos níveis de β-hCG, aplicou-se doses múltiplas sistêmicas de MTX (1mg/kg IM) intercaladas com ácido folínico 15mg VO, constituindo o tratamento combinado. Contudo na ausência de BCF, realizou-se o tratamento sistêmico com doses múltiplas sistêmicas de MTX (1mg/kg IM) intercaladas com ácido folínico 15mg VO.

RESULTADOS

Este estudo contou com 25 pacientes, das quais 21 foram submetidas ao tratamento com MTX (3 tratamento local; 14 tratamento combinado [local + sistêmico] e 4 tratamento sistêmico); 2 à quimioembolização; e 2 à histerectomia (excluídas da série de casos devido à cirurgia em caráter de emergência). A média dos seguintes parâmetros foi: 32,21 anos (idade materna); 2,86 (número de gestações); 1,35 (número de paridades); 62300,13 (mUI/ml β-hCG no diagnóstico); 7,13 (semanas necessárias para negativar β-hCG). Morbidez materna por transfusão sanguínea ou febre ocorreu em 8,7% dos casos. Os casos que evoluíram com nova gestação foram 21,7%. O sucesso do tratamento com MTX ocorreu em 91,3% dos casos. A falha ocorreu quando foi indicada cirurgia para resolução, em 8,7% dos casos.

CONCLUSÕES

O tratamento com MTX mostrou-se efetivo, por evitar a histerectomia e pela baixa morbidade, além de preservar o futuro reprodutivo da paciente.

Área

OBSTETRÍCIA - Gestação de alto risco

Autores

Julio Elito Junior, Rafael Maia, Filipe de Oliveira Silva, Rubens Bermudes Musiello