60º Congresso de Ginecologia e Obstetrícia da Febrasgo – CBGO 2022

Dados do Trabalho


TÍTULO

Diferença no atendimento de emergência às mulheres que sofreram violência sexual segundo cor da pele

OBJETIVO

Introdução: No Brasil, o atendimento de emergência às vítimas de agressão sexual deve seguir diretrizes que definam o tratamento, sendo obrigatória a notificação pelos centros de saúde. Por outro lado, há evidências sólidas de que a cor da pele ou a discriminação racial levaram a significativas desigualdades sociais em saúde em todo o país. O objetivo deste estudo foi avaliar a qualidade da assistência prestada às mulheres vítimas de agressão sexual atendidas em hospitais públicos do Distrito Federal de Brasília, segundo a cor da pele autorreferida da vítima.

MÉTODOS

Métodos: Este estudo transversal e retrospectivo avaliou o atendimento às mulheres vítimas de violência sexual atendidas em um hospital público da rede da Secretaria Estadual de Saúde do Distrito Federal de Brasília. Os dados analisados foram recuperados do banco de dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que contém as fichas de notificação compulsória registradas em todos os serviços de saúde do país. O estudo incluiu 2.256 mulheres de 1 a 79 anos que receberam atendimento em um desses hospitais entre 1º de janeiro de 2012 e 31 de dezembro de 2016 após agressão sexual. Foram considerados os quatro tipos de tratamento recomendados para mulheres que sofrem violência sexual: tratamento profilático contra o vírus da imunodeficiência humana, infecções sexualmente transmissíveis e hepatite B e contracepção de emergência. A variável independente foi a etnia/cor da pele da vítima

RESULTADOS

Resultados: No geral, 50,4% das mulheres da amostra se autodeclararam pardas ou pardas, 37,4% brancas e 12,2% negras. O percentual de mulheres brancas que receberam algum dos quatro componentes do atendimento de emergência após violência sexual foi sempre superior ao percentual de mulheres pardas ou pretas que receberam o mesmo componente. As diferenças entre mulheres brancas e pardas ou negras sempre foram muito maiores do que as diferenças entre mulheres pardas e negras.

CONCLUSÕES

Conclusões: A qualidade do atendimento de emergência após agressão sexual foi pior no caso de mulheres negras ou pardas em comparação com mulheres brancas. Os dados do presente estudo podem contribuir para a melhoria da qualidade do atendimento emergencial a todas as mulheres e adolescentes que sofrem violência sexual independentemente da cor da pele, eliminando assim a discriminação aqui identificada.

Área

GINECOLOGIA - Epidemiologia

Autores

EVALDO LIMA DA COSTA, KARLA SIMÔNIA DE PÁUDA, LAURA BORGES DE ANDRADE, MILZARA MENEZES DE SOUZA, ANÍBAL FAÚNDES, RUI NUNES