60º Congresso de Ginecologia e Obstetrícia da Febrasgo – CBGO 2022

Dados do Trabalho


TÍTULO

OS IMPACTOS DO RASTREIO E TRATAMENTO DE CÂNCER DE COLO DE ÚTERO NA PANDEMIA DA COVID-19

OBJETIVO

A presente revisão objetiva delimitar projeções acerca do rastreio e tratamento do câncer de colo de útero no contexto da pandemia da COVID-19.

FONTE DE DADOS

Foi realizada pesquisa nas bases de dados PubMed, Scielo, LILACS e Google Acadêmico utilizando-se a seguinte questão norteadora: “Quais as projeções para o rastreio e tratamento do câncer de colo uterino após os impactos causados pela pandemia?”, escolhendo-se os descritores: COVID-19, programa de rastreamento e câncer de colo uterino.

SELEÇÃO DE ESTUDOS

Foram selecionados 10 artigos que encaixavam-se nos critérios de inclusão: publicados entre 2019-2022, disponibilizados na íntegra e abordagem sobre a temática proposta, sendo a principal limitação a dificuldade de combinar estudos com populações similares.

COLETA DE DADOS

Os artigos foram submetidos a leitura minuciosa e posterior definição dos resultados relevantes para elaboração de síntese crítica.

SÍNTESE DE DADOS

Em todos os estudos avaliados, os resultados mostram que a maior redução na realização de exames ginecológicos ocorreu em maio de 2020. Os exames citopatológicos alcançaram uma redução de até 83,2% nos meses mais críticos da pandemia, com redução média de 46,5% de 2019 para 2020. Considerando-se os procedimentos de tratamento, a maior queda da realização de excisões de colo uterino ocorreu em abril de 2020 (-62,5%). Não houve diferença nessa redução entre as regiões brasileiras, com exceção das biópsias que sofreram uma queda maior na região nordeste, alcançando 78,5% em maio de 2020. Dentre os exames citados, a conização foi a única que não retornou aos níveis de base pré pandêmicos até o final de 2021. Também observou-se que houve queda de aproximadamente 25% dos diagnósticos. Constatou-se diminuição estatística na porcentagem dos laudos benignos, com aumento de 13,5 pontos percentuais nos valores de câncer cervical em estágio avançado no momento do diagnóstico entre os anos 2020 e 2021.

CONCLUSÕES

Logo, evidencia-se que um dos impactos causados pelo SARS-Cov-2 foi a diminuição expressiva no número de exames para o rastreio do câncer de colo uterino, sobretudo no seu momento mais crítico. Nota-se também que o atraso no diagnóstico pode favorecer o número de casos da neoplasia em estágio avançado, dificultando o tratamento precoce e reduzindo as chances de cura. Assim, é necessário que haja uma reorganização da rede de atenção oncológica e programas de detecção precoce, com a finalidade de atenuar os impactos da pandemia.

Área

GINECOLOGIA - Oncologia Ginecológica

Autores

EVELLYN BATISTA FLIZIKOWSKI RIBEIRO, DIEGO TRABULSI LIMA, LARA BIANCA CARDOSO PEREIRA, ANA BEATRIZ PRIMO CAVALLEIRO DE MACEDO, HARRISON BALDEZ REIS, BEATRIZ MELO RIBEIRO